Como ler a conta de luz: cada campo da fatura explicado
Veja como ler a conta de luz campo a campo: número da UC, classe, leitura, consumo, TE e TUSD, bandeira, impostos, iluminação pública, histórico e a linha do crédito de energia por assinatura, com os nomes que cada distribuidora usa.

Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos
Responsável técnica · Luz no Bolso · CREA-MG 1410080234

Na conta de exemplo que a Enel Ceará usa para orientar os clientes, o consumo aparece assim: 87 kWh em 29 dias. São dois números, e quase ninguém olha para o segundo. Saber como ler a conta de luz começa por aí: cada campo responde uma pergunta, e juntos eles explicam o valor que você paga. Abaixo, a fatura de cima para baixo, com os nomes que cada distribuidora usa.
Topo da fatura: titular, número da UC e classe
O titular é a pessoa ou a empresa em nome de quem a unidade está cadastrada na distribuidora. Confira nome, CPF ou CNPJ e endereço logo de saída: são os dados que identificam você nos pedidos de serviço.
Número da instalação ou da UC: cada distribuidora chama de um jeito
É o campo mais pedido em qualquer atendimento. Ele identifica a unidade consumidora, o ponto onde a energia chega ao imóvel. Em 2023, a ANEEL levou à Consulta Pública 43/2023 a padronização desse número no país: 15 dígitos, sendo 3 para a distribuidora, 10 para a unidade e 2 verificadores, como no CPF. Segundo a Neoenergia e a CPFL, a regra foi aprovada na REN ANEEL 1.095/2024. Por isso o nome e o tamanho do número mudaram em várias contas em 2026:
- Cemig: o tradicional número da instalação, que começa com 3, dá lugar ao número da Unidade Consumidora, de 15 dígitos. Segundo a Cemig, o número antigo continua aceito por até 12 meses.
- CPFL: o antigo Código da Instalação passou a se chamar Número da UC, com 15 dígitos. A CPFL informa que a troca estaria totalmente implementada em junho de 2026.
- Neoenergia: o antigo Código do Cliente virou Número da Unidade Consumidora, com 15 dígitos. Segundo a Neoenergia, ele aparece na conta desde 1º/07/2026 na Elektro e desde 1º/09/2026 na Coelba, Pernambuco, Cosern e Brasília.
- Enel Ceará: o campo aparece como UC, o Número da Unidade Consumidora, que a Enel orienta usar nos canais de atendimento.
Classe, subclasse e modalidade tarifária
Esse bloco diz que tipo de consumidor você é e qual tarifa paga, segundo a Cemig. Na baixa tensão, o grupo B, a ANEEL separa as classes em residencial (B1), rural (B2), demais classes (B3), que reúne comércio, serviços e indústria, e iluminação pública (B4). A subclasse detalha casos como a Residencial Baixa Renda, da Tarifa Social. Quem aderiu à Tarifa Branca tem o consumo separado por posto tarifário, e a fatura precisa mostrar cada um, segundo as perguntas frequentes da ANEEL.

Leitura e consumo: de onde sai o número em kWh
A fatura traz três datas de leitura: a anterior, a atual e a próxima, como descreve a Cemig. O consumo é a diferença entre as duas leituras do medidor, em kWh. Repare nos dias. O ciclo de leitura não tem sempre 30 dias: no histórico da conta de exemplo da Enel Ceará, os períodos vão de 28 a 37 dias. Uma conta de 37 dias carrega nove dias a mais de consumo que uma de 28, sem você ter mudado nada em casa.
TE e TUSD: as duas partes da tarifa
Segundo a ANEEL, a conta paga a compra da energia, a transmissão e a distribuição, além de encargos setoriais e tributos. A tarifa homologada junta isso em duas partes. A TUSD, Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição, paga o uso das redes de transmissão e distribuição. A TE, Tarifa de Energia, paga a energia em si.
Veja o peso de cada parte em quatro distribuidoras, segundo a base de tarifas da ANEEL de 31/10/2026. São valores da tarifa residencial B1, em reais por kWh, sem impostos:
| Distribuidora | TUSD | TE | Tarifa sem impostos |
|---|---|---|---|
| Enel RJ | R$ 0,732 | R$ 0,329 | R$ 1,061 |
| Cemig | R$ 0,593 | R$ 0,310 | R$ 0,903 |
| CPFL Paulista | R$ 0,449 | R$ 0,290 | R$ 0,739 |
| Enel Ceará | R$ 0,488 | R$ 0,213 | R$ 0,702 |
A Enel RJ tem a tarifa residencial mais cara entre as grandes distribuidoras, e a Enel Ceará, a mais barata. Nas quatro, a TUSD pesa mais que a TE. A ANEEL avisa que esses valores não incluem ICMS, PIS/Pasep, Cofins, a iluminação pública nem o adicional de bandeira. O valor final, com tudo isso, sai no passo a passo de como calcular a conta de luz.
Bandeira tarifária: o acréscimo do mês
O campo da bandeira mostra a cor aplicada no mês. Na verde, não há acréscimo. Segundo a ANEEL, a amarela soma R$ 1,885 a cada 100 kWh, a vermelha patamar 1 soma R$ 4,463 e a vermelha patamar 2, R$ 7,877. Numa casa de 200 kWh, a amarela acrescenta R$ 3,77 no mês e a vermelha patamar 2, R$ 15,75, sem contar impostos.
A bandeira de novembro de 2026 é verde, como a ANEEL anunciou em 30/10/2026, repetindo a de outubro. A de dezembro sai em 27/11/2026, pelo calendário oficial. O que fazer quando ela fica vermelha está em bandeira tarifária vermelha: o que fazer.
Impostos e iluminação pública
Depois da tarifa e da bandeira vêm três cobranças que a ANEEL não cria. Segundo a agência, encargos setoriais e tributos são instituídos por lei. Na fatura, eles aparecem assim:
- PIS/Cofins: tributo federal.
- ICMS: tributo estadual, com a alíquota definida pela lei de cada estado.
- Contribuição de Iluminação Pública (CIP ou COSIP): tributo municipal. Segundo a Cemig, é um valor definido pela prefeitura para custear a iluminação pública. Vem na própria fatura da distribuidora.
Histórico de consumo: o gráfico que mais ensina
O histórico mostra os últimos 12 meses. Na conta de exemplo da Enel Ceará, cada mês traz o consumo, os dias do ciclo e o tipo de faturamento. Use esse gráfico para três coisas:
- Achar o consumo médio. Some os 12 meses e divida por 12. É esse o número que você vai usar para comparar propostas de energia por assinatura.
- Ver a sazonalidade. Verão com ar-condicionado e inverno com chuveiro no quente aparecem como picos.
- Conferir o tipo de faturamento. Mês com tipo diferente dos demais? Pergunte à distribuidora como aquele consumo foi apurado.

Onde aparece o crédito de quem assina energia
Na energia por assinatura, uma usina ligada à mesma distribuidora da sua casa destina parte da energia dela para a sua unidade, pelo sistema de compensação previsto na Lei 14.300/2022. A distribuidora continua a mesma, e você passa a receber duas contas: a dela, com o consumo abatido, e a da empresa da usina, com o desconto. Na prática, o crédito costuma aparecer de 30 a 60 dias depois da assinatura. O passo a passo está em energia por assinatura: como funciona.
Na fatura da distribuidora, procure a linha do crédito. O nome costuma citar energia injetada, energia compensada ou geração distribuída (GD). Confira quatro pontos:
- Consumo medido: segue igual, porque a assinatura não muda o quanto a casa gasta.
- Energia compensada: os kWh que o crédito abateu no mês. É sobre eles que o desconto da assinatura é calculado.
- Saldo de créditos: o que sobrou para os próximos meses. Saldo que só cresce indica cota acima do seu consumo.
- Linhas da regra nova: em usinas na GD II, a distribuidora cobra uma parte do Fio B sobre a energia compensada. A conta completa, com uma fatura de exemplo, está em compensação de energia elétrica.
Com a fatura lida, compare as empresas que atendem a sua distribuidora no diretório de usinas e veja como a ANEEL regula o modelo. O Luz no Bolso compara: não vende energia e não instala nada. Fora de Minas Gerais, o cadastro é feito no site oficial de cada empresa.
Ficou alguma linha sem explicação? Mande a foto ou o PDF da conta para o EDI, a inteligência artificial do Luz no Bolso, que lê a fatura e mostra as empresas da sua distribuidora.
Mandar minha conta para o EDI ler →Perguntas frequentes
Onde fica o número da instalação na conta de luz?+
Junto dos dados do titular. O nome muda: número da instalação ou da Unidade Consumidora na Cemig, Número da UC na CPFL, Número da Unidade Consumidora na Neoenergia e UC na Enel Ceará. O número novo tem 15 dígitos.
Por que a conta deste mês tem mais dias que a do mês passado?+
Porque o ciclo de leitura varia. Na conta de exemplo da Enel Ceará, ele vai de 28 a 37 dias. Para comparar meses, use o kWh por dia.
TE e TUSD são cobranças duplicadas?+
Não. A TUSD paga as redes, e a TE paga a energia. Juntas formam a tarifa: na Cemig, R$ 0,593 mais R$ 0,310 dão R$ 0,903 por kWh sem impostos.
A bandeira pode subir a conta mesmo sem eu gastar mais?+
Pode. A amarela soma R$ 1,885 a cada 100 kWh, e a vermelha patamar 2, R$ 7,877, segundo a ANEEL. Novembro de 2026 está na verde, sem acréscimo.
Quem define o valor da iluminação pública?+
A prefeitura. É um tributo municipal cobrado na fatura da distribuidora, então dúvida sobre o valor se resolve com o município.
Depois de assinar energia, onde vejo o desconto?+
Na conta da distribuidora aparece a energia compensada. A empresa da usina manda a conta dela, com o desconto sobre essa energia. Na prática, o crédito costuma aparecer de 30 a 60 dias depois da assinatura.

Sobre a autora
Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos
Responsável técnica · Luz no Bolso
Engenheira responsável técnica pelos conteúdos do Luz no Bolso. CREA-MG 1410080234, com atuação em automação residencial, automação industrial e geração distribuída.
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