Luz no Bolso
Economia em casa01 de novembro de 2026 · 8 min de leitura

Como calcular a conta de luz: passo a passo com exemplo real

Veja como calcular conta de luz em três passos: transforme watts em kWh, multiplique pela tarifa com tributos tirada da sua fatura e some bandeira e iluminação pública. Com a conta completa de uma casa de exemplo e tarifas oficiais da ANEEL.

Foto de Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos

Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos

Responsável técnica · Luz no Bolso · CREA-MG 1410080234

Conta de luz impressa sobre mesa de cozinha ao lado de calculadora e caderno com anotações do cálculo do consumo

A conta chegou mais alta e você jura que não fez nada diferente. Antes de reclamar com a distribuidora, faça a conta você mesmo. Quem aprende como calcular conta de luz descobre em dez minutos onde está o peso: no chuveiro, na tarifa, na bandeira ou no número de dias da leitura.

Aqui está a fórmula, aplicada numa casa de exemplo com nove aparelhos, e o jeito de achar na sua própria fatura o preço que você paga de verdade por kWh. As tarifas vêm da base oficial da ANEEL de 31/10/2026.

A fórmula: de watts para kWh

Todo aparelho tem uma potência, em watts (W), escrita na etiqueta ou no manual. A distribuidora cobra em quilowatt-hora (kWh), a energia de 1.000 watts funcionando durante uma hora. A conversão é esta:

Converta minutos em horas antes de multiplicar: 15 minutos são 0,25 hora. Conte só os dias em que o aparelho liga: a máquina que lava três vezes por semana tem cerca de 12 dias de uso no mês. Geladeira e ar-condicionado ligam e desligam o compressor sozinhos, então a conta pela potência vira teto. Na geladeira, use o consumo mensal em kWh da etiqueta do Inmetro. Os que mais pesam estão em aparelhos que mais gastam energia.

Exemplo real: a conta de uma casa, aparelho por aparelho

Montei uma casa de exemplo com potências de etiqueta e um uso que aparece muito nas contas que analiso. Troque pelos números da sua casa. A geladeira entra com um valor de etiqueta de exemplo.

AparelhoPotênciaUso no mêskWh no mês
Chuveiro elétrico5.500 W30 min por dia, 30 dias82,5
Geladeira frost freeetiqueta do Inmetroligada o mês todo35,0
Televisão100 W5 h por dia, 30 dias15,0
Micro-ondas1.200 W15 min por dia, 30 dias9,0
Computador65 W6 h por dia, 22 dias8,6
Seis lâmpadas LED9 W cada5 h por dia, 30 dias8,1
Ferro de passar1.000 W1 h por dia, 8 dias8,0
Roteador de internet10 W24 h por dia, 30 dias7,2
Máquina de lavar500 W1 h por dia, 12 dias6,0
<strong>Total</strong><strong>179,4 kWh</strong>

O total fica colado na média nacional. Segundo o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, da EPE, a residência brasileira consumiu em média 179,3 kWh por mês em 2025. Repare no chuveiro: sozinho, ele responde por 46% do consumo da casa.

Chuveiro elétrico ligado em banheiro residencial com vapor, o aparelho que mais pesa no consumo da casa de exemplo
Na casa de exemplo, o chuveiro responde por 46% do consumo

De kWh para reais: a tarifa

Agora multiplique o consumo pela tarifa. A tarifa homologada pela ANEEL tem duas partes: a TUSD, que paga o uso das redes de transmissão e distribuição, e a TE, que paga a energia. Na Cemig, segundo a base da ANEEL de 31/10/2026, a TUSD residencial é de R$ 0,593 por kWh e a TE, de R$ 0,310. Total: R$ 0,903 por kWh.

Esse valor vem sem tributos. A própria ANEEL informa que as tarifas do ranking não incluem ICMS, PIS/Pasep, Cofins, iluminação pública nem bandeira. Na casa do exemplo: 179,4 kWh × R$ 0,903 = R$ 162,00 antes dos tributos. Entre as grandes distribuidoras, a tarifa vai de R$ 0,702 na Enel Ceará a R$ 1,061 na Enel RJ, segundo a base de tarifas homologadas da ANEEL. Os mesmos 179,4 kWh custam R$ 125,94 numa e R$ 190,34 na outra, antes dos impostos.

Como achar a tarifa com tributos na sua fatura

Segundo a ANEEL, a conta traz PIS/Cofins (federal), ICMS (estadual) e a Contribuição para Iluminação Pública (municipal). Como isso muda de lugar para lugar, tire o número da sua própria conta:

  1. Anote o consumo do período, em kWh, que aparece junto das leituras do medidor.
  2. Pegue o total da fatura e tire o que não é energia: iluminação pública, multas, juros e serviços avulsos.
  3. Divida o que sobrou pelo consumo. O resultado é o preço efetivo por kWh, já com tributos.
  4. Prefira um mês de bandeira verde, como novembro de 2026, para o número sair sem adicional.

Com números redondos de exemplo: conta de R$ 230,00, com R$ 15,00 de iluminação pública e 180 kWh de consumo. R$ 215,00 divididos por 180 kWh dão R$ 1,19 por kWh. Se não souber onde fica cada campo, veja como ler a conta de luz.

Some a bandeira e a iluminação pública

Duas parcelas entram por fora da tarifa. A primeira é a bandeira. Segundo a ANEEL, a verde não acrescenta nada; a amarela soma R$ 1,885 a cada 100 kWh; a vermelha patamar 1, R$ 4,463; e a vermelha patamar 2, R$ 7,877. Na casa do exemplo:

BandeiraA cada 100 kWhNa casa de 179,4 kWh
VerdeR$ 0,00R$ 0,00
AmarelaR$ 1,885R$ 3,38
Vermelha patamar 1R$ 4,463R$ 8,01
Vermelha patamar 2R$ 7,877R$ 14,13

Em novembro de 2026 a bandeira é verde: a ANEEL anunciou em 30/10/2026 que a verde de outubro continua. A de dezembro sai em 27/11/2026. Entre maio e setembro, ela foi amarela. O efeito de cada cor está em bandeira tarifária vermelha: o que fazer. A segunda parcela é a iluminação pública, que segue a lei da sua cidade: copie o valor da última fatura.

A conta completa, do começo ao fim

  1. Consumo: some potência × horas × dias ÷ 1.000 de cada aparelho.
  2. Energia: consumo × tarifa com tributos tirada da sua fatura.
  3. Bandeira: consumo ÷ 100 × valor da bandeira do mês.
  4. Total: energia + bandeira + iluminação pública.

Na casa do exemplo, com tarifa efetiva de R$ 1,19 e iluminação pública de R$ 15,00: 179,4 kWh × R$ 1,19 = R$ 213,49 de energia. Com bandeira verde, o total estimado fica em R$ 228,49. Se o número real fugir disso, confira os dias do período: na conta de exemplo do guia da Enel Ceará, os ciclos dos últimos 12 meses vão de 28 a 37 dias.

Mão segurando caneta sobre uma conta de luz impressa, conferindo o consumo do período e as leituras do medidor
Consumo e dias do período ficam junto das leituras do medidor

Simulador: quanto cai com energia por assinatura

Na energia por assinatura, você assina uma cota de uma usina ligada à mesma distribuidora, e os créditos em kWh entram na sua fatura, pela Lei 14.300/2022 e pela REN ANEEL 1.059/2023. A distribuidora continua a mesma e nada é instalado. O passo a passo está em energia por assinatura: como funciona.

A conta da economia: energia compensada × desconto da empresa. Iluminação pública e custo de disponibilidade continuam na fatura da distribuidora. Com um desconto de exemplo de 15% sobre R$ 180,00 de energia compensada, a economia é de R$ 27,00 no mês. O crédito costuma aparecer na primeira ou na segunda conta depois da assinatura, porque a distribuidora tem até 30 dias para incluir a sua unidade no rateio da usina. Veja como a ANEEL regula o modelo. O Luz no Bolso não vende energia e não instala nada: compara, no diretório de usinas, as empresas de cada distribuidora. Fora de Minas Gerais, o cadastro é feito no site oficial de cada empresa.

Coloque o valor da sua conta e veja quais empresas atendem a sua distribuidora e quanto o desconto na energia pode representar no mês.

Simular desconto na minha conta →

Perguntas frequentes

Quanto gasta um chuveiro elétrico por mês?+

Um chuveiro de 5.500 W ligado 30 minutos por dia, durante 30 dias, consome 82,5 kWh. Com a tarifa residencial da Cemig sem tributos, de R$ 0,903 por kWh segundo a ANEEL, isso dá R$ 74,50 antes dos impostos.

Como converter kWh em reais?+

Multiplique os kWh pela tarifa com tributos. Para achá-la, pegue o total da fatura, tire iluminação pública, multas e serviços avulsos, e divida pelo consumo do período.

Qual é o consumo médio de uma casa no Brasil?+

Segundo a EPE, 179,3 kWh por mês em 2025. Roraima teve a maior média, 347,1 kWh, e a Bahia a menor, 108,8 kWh. São Paulo ficou em 203,2 kWh e Minas Gerais em 154,5 kWh.

Por que a conta subiu se eu gastei o mesmo?+

Olhe os dias do período de leitura, a bandeira do mês e o reajuste anual da distribuidora. Um ciclo mais longo soma mais kWh. Divida o consumo pelos dias para comparar meses de forma justa.

Se eu consumir muito pouco, a conta pode zerar?+

Não zera. Pela regra atual da ANEEL, a ligação monofásica paga no mínimo o equivalente a 30 kWh, a bifásica 50 kWh e a trifásica 100 kWh, e a iluminação pública continua na fatura.

Foto de Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos

Sobre a autora

Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos

Responsável técnica · Luz no Bolso

Engenheira responsável técnica pelos conteúdos do Luz no Bolso. CREA-MG 1410080234, com atuação em automação residencial, automação industrial e geração distribuída.

CREA-MG 1410080234Especialista em GDAutomação residencial e empresarial
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