Energia por assinatura em Florianópolis: vale a pena com a tarifa da Celesc?
A Celesc cobra R$ 0,75975 por kWh na residência, abaixo da média do país, e o inverno catarinense tem menos sol. Fizemos a conta: quando a energia por assinatura compensa em Florianópolis, para que faixa de conta e quais empresas atendem Santa Catarina.

Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos
Responsável técnica · Luz no Bolso · CREA-MG 1410080234

Desde 22 de agosto de 2026 a conta residencial da Celesc está 9,29% mais cara, segundo a ANEEL, que aprovou a revisão tarifária da distribuidora em 18 de agosto, com efeito médio de 10,82% para cerca de 3,6 milhões de unidades consumidoras. Se você pesquisou energia por assinatura Florianópolis depois de abrir a fatura, este texto responde com números: a tarifa da Celesc é mais baixa que a média do país, o sol some no inverno, e mesmo assim a assinatura compensa na maior parte das contas acima de R$ 250.
A resposta curta: compensa, mas o ganho em reais por kWh é menor do que em Minas ou no Rio, porque o desconto é um percentual sobre uma tarifa mais barata. O inverno não anula o desconto, porque o crédito do verão fica guardado por 60 meses. O que decide é o tamanho da conta e como a operadora administra a cota.
Em uma frase: você assina uma cota de uma usina solar ligada à rede da Celesc, na geração compartilhada da Lei 14.300/2022 e da Resolução 1.059/2023 da ANEEL; a energia vira crédito em kWh abatido da sua fatura, e você paga à operadora por esse crédito menos do que pagaria à Celesc. A distribuidora continua a mesma, não há obra nem equipamento. Como a distribuidora tem até 30 dias, pela regulação da ANEEL, para incluir a sua unidade no rateio, e a mudança entra no ciclo de faturamento seguinte, o primeiro crédito costuma aparecer de 30 a 60 dias depois do cadastro. O passo a passo está no guia energia por assinatura: como funciona e na página sobre a regulamentação da ANEEL.
O que o reajuste da Celesc fez com a conta de luz em Florianópolis
Segundo a ANEEL, a revisão tarifária de 2026 da Celesc teve efeito médio de 10,82%: 14,16% na alta tensão e 9,26% na baixa tensão, com 9,29% na classe residencial B1. As tarifas valem de 22 de agosto de 2026 a 21 de agosto de 2027.
Pela tabela da própria Celesc, a tarifa residencial convencional é de R$ 0,75975 por kWh, sem tributos; antes da revisão, pela base de tarifas da ANEEL, era R$ 0,69568. Com ICMS (12% até 150 kWh e 17% acima disso, em Santa Catarina), PIS e Cofins de outubro de 2026 (0,27% e 1,27%), uma casa que consome mais de 150 kWh paga cerca de R$ 0,93 por kWh, mais a iluminação pública, que fica fora de qualquer desconto.
Novembro começou sem custo extra: a ANEEL anunciou em 30 de outubro que a bandeira segue verde, em vigor desde outubro. Isso alivia o mês, mas não mexe no reajuste, que fica na tarifa até agosto de 2027. É sobre essa parte permanente que a assinatura atua, e quando a bandeira voltar a subir a parcela creditada escapa do adicional.

A tarifa da Celesc é mesmo mais baixa que a média do país?
É, e dá para medir. Na base de tarifas homologadas da ANEEL, atualizada em 31 de outubro de 2026, 103 distribuidoras e permissionárias têm tarifa residencial convencional vigente. A média é R$ 0,83955 por kWh sem tributos. A Celesc, com R$ 0,75975, é a 32ª mais barata: 9,5% abaixo da média. Em outubro de 2023 ela chegou a ter a segunda menor tarifa residencial do país, 18,3% abaixo da média; os reajustes seguintes a tiraram de lá.
Na mesma base, a Copel cobra R$ 0,76802; a Cemig, R$ 0,90329; a Light, R$ 0,88056. Por isso o desconto em reais em Florianópolis é menor do que em Belo Horizonte com o mesmo percentual: 20% de R$ 0,76 são 15 centavos por kWh; 20% de R$ 0,90 são 18. Veja quanto custa o kWh por distribuidora e o caso vizinho de Curitiba, na Copel.
O inverno catarinense tem menos sol: como isso entra no seu crédito
Pelo Atlas Brasileiro de Energia Solar do INPE, a sede de Florianópolis recebe em média 4,25 kWh/m² por dia de irradiação global horizontal no ano: 6,01 em dezembro e 2,57 em junho. Uma usina aqui gera em junho pouco mais de 40% do que gera em dezembro. Na média das 295 sedes municipais, Santa Catarina fica em 4,31 kWh/m² por dia, a menor entre os estados nessa base, contra 5,04 na média nacional.
A Lei 14.300/2022, no artigo 13, garante que o crédito vale por 60 meses: a usina gera de sobra entre outubro e março, o excedente fica acumulado na sua unidade consumidora e cobre maio a agosto. A cota, porém, precisa ser dimensionada pela geração média do ano. Empresa que promete cobrir 100% da conta com base em janeiro deixa você pagando a Celesc em julho.

Quanto a assinatura devolve em Florianópolis, por faixa de conta
Fizemos a conta com a tarifa vigente da Celesc mais tributos (cerca de R$ 0,93 por kWh acima de 150 kWh), iluminação pública fora, e descontando o custo de disponibilidade, que a Resolução Normativa 1.000/2021 da ANEEL fixa em 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica e 100 kWh na trifásica: essa parte a Celesc cobra mesmo com crédito. O desconto incide só sobre a energia compensada.
| Consumo mensal | Energia na conta (aprox.) | Energia compensável | Economia com 20% | Economia com 25% |
|---|---|---|---|---|
| 300 kWh (bifásica) | cerca de R$ 280 | 250 kWh (R$ 233) | R$ 47 por mês (R$ 560 por ano) | R$ 58 por mês |
| 500 kWh (bifásica) | cerca de R$ 466 | 450 kWh (R$ 420) | R$ 84 por mês (R$ 1.008 por ano) | R$ 105 por mês |
| 900 kWh (trifásica) | cerca de R$ 839 | 800 kWh (R$ 746) | R$ 149 por mês (R$ 1.790 por ano) | R$ 187 por mês |
Abaixo de uns 200 kWh, o custo de disponibilidade come boa parte do crédito e a economia fica perto de R$ 20 por mês; não por acaso, várias operadoras pedem conta mínima de R$ 250 ou mais. De 300 kWh para cima compensa com folga, e uma casa com ar-condicionado, que passa de 500 kWh em janeiro, chega perto de R$ 1.000 por ano com um plano de 20%.
Empresas de energia por assinatura que atendem Santa Catarina
No cadastro do Luz no Bolso em novembro de 2026, estas são as empresas que informam atender Santa Catarina, na ordem do comparador. O fechamento é no site de cada operadora: o Luz no Bolso não vende energia nem instala nada. Na Grande Florianópolis a distribuidora é a Celesc, então todas valem.
| Empresa | Desconto anunciado | Fidelidade | Atende | Conta mínima |
|---|---|---|---|---|
| GDSolar | até 25% | sem fidelidade | casa e empresa | não informa |
| Sion Cooperativa | até 35% | sem fidelidade | só empresa | R$ 500 |
| Alexandria | até 40% | não informa | casa e empresa | não informa |
| Melhor Energia | até 20% | sem fidelidade | casa e empresa | R$ 250 |
| PLIN Energia | até 20% | sem fidelidade | casa e empresa | não informa |
| Nextron Energia | até 25% | não informa | casa e empresa | R$ 250 |
| Desperta Energia | até 30% | não informa | casa e empresa | não informa |
| Claro Energia | até 15% | sem fidelidade | casa e empresa | não informa |
| AXS Energia | a consultar | não informa | casa e empresa | não informa |
| OpenGD | a consultar | sem fidelidade | só empresa | R$ 500 |
Compare as dez empresas que atendem Florianópolis, com avaliação, fidelidade e link para o site de cada uma.
Comparar empresas em Florianópolis →O que checar antes de assinar em Florianópolis
- Distribuidora. Em cidades atendidas por cooperativa, a conta não vem da Celesc, e a usina precisa estar na mesma rede.
- Inverno. Pergunte se a cota usa a média anual de geração e se o excedente de verão fica na sua unidade.
- Fidelidade. Seis das dez empresas da tabela dizem não ter; quatro não informam.
- Conta mínima. Melhor Energia e Nextron pedem R$ 250; Sion e OpenGD, R$ 500, só para empresa.
- Duas faturas. A conta da Celesc cai e chega a da operadora. Some as duas e compare com o mesmo mês do ano anterior.
- A usina existe. Confira a usina e a cidade dela em usinas cadastradas.
A lista de Santa Catarina tem todas as operadoras, de Joinville a Criciúma.
Ver empresas em Santa Catarina →Perguntas frequentes
A usina precisa estar em Santa Catarina?+
Precisa estar na rede da mesma distribuidora que atende a sua casa: para cliente da Celesc, uma usina conectada à Celesc em qualquer ponto do estado.
Moro em cidade atendida por cooperativa, e não pela Celesc. Posso assinar?+
Só se a operadora tiver usina ligada à rede daquela cooperativa, como Cooperaliança, Cermoful, Coopera ou Cerbranorte. Peça o nome e a cidade da usina antes do cadastro.
Com a tarifa da Celesc abaixo da média, o desconto fica pequeno demais?+
Fica menor em reais do que em Minas ou no Rio, não em percentual. Em 500 kWh, um plano de 20% devolve cerca de R$ 84 por mês em Florianópolis, contra cerca de R$ 100 em Belo Horizonte.
Minha conta dobra no verão com o ar-condicionado. O crédito acompanha?+
Acompanha se a cota for dimensionada pelo consumo anual. No pico você usa o crédito do mês e o acumulado; se não bastar, a diferença vem na conta da Celesc, sem desconto.
O reajuste de agosto muda o valor do meu desconto?+
Muda a favor: o desconto é um percentual sobre a tarifa, então, quando a Celesc sobe 9,29%, a economia em reais sobe junto.

Sobre a autora
Nathália Gonçalves Barcala Braga Ramos
Responsável técnica · Luz no Bolso
Engenheira responsável técnica pelos conteúdos do Luz no Bolso. CREA-MG 1410080234, com atuação em automação residencial, automação industrial e geração distribuída.
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